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Empresas que ainda não estão preparadas para o Strategic Bricks (e como saber a hora certa)

  • Foto do escritor: Fernanda Beli
    Fernanda Beli
  • há 5 horas
  • 6 min de leitura

Metodologias experienciais costumam gerar um efeito imediato: elas tiram a estratégia do discurso e colocam as pessoas para pensar, construir, negociar prioridades e assumir compromissos reais. É exatamente por isso que o Strategic Bricks pode ser tão poderoso. Mas existe um ponto pouco falado no mercado: nem toda empresa está pronta para esse tipo de intervenção.



E não se trata de “maturidade” como julgamento. Trata-se de condições mínimas para que a energia de um workshop mão na massa se transforme em clareza, decisões e ação. Quando essas condições não existem, a experiência pode até ser divertida, mas tende a virar um evento isolado, com pouca continuidade.


Neste artigo, você vai entender quais são os sinais de que sua empresa ainda não está preparada para o Strategic Bricks, o que fazer antes para evitar frustração e como reconhecer a hora certa de aplicar a metodologia para gerar resultados concretos.



O que significa “não estar preparado” para o Strategic Bricks

O Strategic Bricks é uma metodologia própria, criada para fazer as pessoas construírem e testarem ideias com LEGO® e outros materiais como papéis, palitos, massinha, tecidos e itens de reciclagem. Ele se apoia em fundamentos de aprendizagem e em práticas que aumentam participação, memória, senso de pertencimento e profundidade de conversa.


Na prática, isso exige algo do ambiente: disponibilidade para dialogar com verdade, aceitar diferentes perspectivas e tomar decisões com responsabilidade compartilhada.


Quando uma empresa não está pronta, normalmente acontece uma destas situações:


  • As pessoas até participam, mas não falam o que precisa ser dito.

  • As decisões já estão tomadas antes da sala entrar.

  • O pós-workshop não existe, então nada se sustenta.

  • A liderança usa a dinâmica como “motivação”, sem intenção estratégica real.

O ponto central é simples: o Strategic Bricks amplifica o que está no sistema. Se há confiança, ele acelera. Se há ruído, ele evidencia. Isso pode ser ótimo, desde que exista disposição para encarar o que aparece.



6 sinais de que sua empresa ainda não está pronta


1) A liderança quer “engajamento”, mas evita decisões difíceis

Se o objetivo implícito é “fazer o time sair animado” sem tocar em temas como prioridade, foco, responsabilidades e critérios de decisão, a intervenção vira espuma. Em metodologias mão na massa, as construções trazem à tona trade-offs. Sem espaço para decidir, o grupo aprende que participar não muda nada.



2) O problema real ainda não está nomeado

Quando a empresa diz “precisamos alinhar” ou “melhorar comunicação”, mas não consegue responder perguntas básicas, o workshop corre o risco de ficar genérico:


  • Alinhar o quê, exatamente?

  • Com quais indicadores ou sinais de sucesso?

  • Entre quais áreas e quais fricções?

O Strategic Bricks funciona muito bem com desafios complexos, mas ele precisa de um recorte claro. Sem isso, as construções geram muitas possibilidades e pouca direção.



3) Existe medo de discordar, especialmente na presença de chefias

Metodologias experienciais dependem de participação real. Se as pessoas “leem a sala” para adivinhar o que o líder quer ouvir, a construção vira performance. Um sinal comum é quando todos concordam rápido demais, ou quando temas sensíveis são evitados com humor e generalidades.


Antes de um processo mais profundo, pode ser necessário preparar o ambiente com acordos de conversa, regras de participação e apoio explícito da liderança para divergência saudável.



4) A empresa vive em modo urgência permanente

Se tudo é para ontem, nenhuma decisão amadurece. O Strategic Bricks não é “lento”, mas ele exige presença. Se as pessoas entram e saem da sala, respondem mensagens a todo momento e não conseguem sustentar foco, o grupo não mergulha e a qualidade cai.


Nesse caso, a pergunta é operacional e cultural: existe uma janela real para pensar, ou a organização só reage?



5) Não há dono do pós e nem cadência de acompanhamento

Uma experiência forte pode gerar listas de ações, compromissos e aprendizados. Mas sem governança mínima, o efeito se perde. Alguns sinais:


  • Não existe quem traduza outputs em plano (ou backlog) e acompanhe.

  • Reuniões viram atualização, não decisão.

  • Indicadores não são revisitados com disciplina.

Se isso está presente, muitas vezes o melhor caminho é primeiro estruturar rituais de execução, mesmo simples, para depois usar o Strategic Bricks como acelerador.



6) Expectativa de “fórmula pronta” ou solução terceirizada

O Strategic Bricks não é consultoria tradicional em que alguém entrega um documento e a empresa “implementa”. Ele foi desenhado para que as pessoas pensem com as mãos, cocriem, assumam e sustentem. Se a expectativa é “o facilitador vai dizer o que fazer”, a frustração é quase certa.


O resultado vem quando a empresa está disposta a ser parte ativa do processo, não espectadora.



O que fazer antes de aplicar o Strategic Bricks (sem perder tempo)

Se você identificou alguns sinais acima, isso não significa adiar indefinidamente. Significa preparar o terreno para que o investimento gere retorno real. A seguir, ações práticas que costumam destravar o cenário.



1) Defina um desafio com começo, meio e fim

Um bom ponto de partida é transformar um tema amplo em uma pergunta específica. Exemplos:


  • Quais são os 3 pilares de crescimento para os próximos 12 meses e o que vamos parar de fazer?

  • Qual experiência queremos que o cliente tenha do primeiro contato até o pós-venda?

  • Que comportamentos devem existir na liderança para sustentar a cultura desejada?

Essa clareza reduz dispersão e aumenta a chance de sair com decisões.



2) Alinhe o “contrato” da liderança antes do grupo

Antes de reunir times, é importante que a liderança alinhe expectativas: o que é negociável, o que não é, quais decisões podem sair da sala e qual autonomia o grupo terá. Sem isso, o workshop vira um fórum de desabafo sem consequência, ou um teatro de participação.


Uma boa prática é preparar esse alinhamento com uma conversa estruturada ou com uma consultoria de diagnóstico e direcionamento para definir foco, limites e cadência.



3) Garanta um pós simples, mas inegociável

Você não precisa de uma transformação gigantesca para colher resultado. Precisa de consistência. Um pós efetivo geralmente inclui:


  1. Registro claro dos outputs (decisões, critérios, prioridades, riscos).

  2. Tradução em plano de 30-60-90 dias.

  3. Um responsável por manter o tema vivo.

  4. Ritual quinzenal ou mensal de checagem e decisão.

Sem isso, qualquer metodologia vira evento. Com isso, o Strategic Bricks vira motor.



Quando o Strategic Bricks tende a funcionar muito bem

Algumas condições indicam que a empresa está pronta para extrair alto valor do método:


  • A liderança topa ouvir verdades e negociar prioridades.

  • Há um desafio complexo que exige visão sistêmica e colaboração real.

  • Existe abertura para participação 100%, não apenas opiniões “seguras”.

  • O grupo tem diversidade de áreas, visões e fricções produtivas.

  • Há intenção clara de sair com decisões e próximos passos.

Nesse cenário, o Strategic Bricks costuma acelerar alinhamento, clarear o que está invisível e transformar conversa em comprometimento. Para muitas organizações, é o tipo de experiência que muda a qualidade das reuniões dali em diante.



Conexão natural: como a Escola de Inspirações conduz esse tipo de preparação

A Escola de Inspirações atua com metodologias disruptivas e experienciais, nas quais as pessoas aprendem fazendo e construindo, não assistindo a slides. No Strategic Bricks, a lógica é exatamente essa: tirar o abstrato da cabeça e colocar na mesa para que o grupo enxergue, discuta e decida.


Quando a empresa ainda não está pronta, o caminho não é “forçar a barra”. É calibrar o formato. Em alguns casos, faz sentido começar com um workshop mais curto para testar dinâmica, confiança e foco. Em outros, vale preparar líderes e rituais de execução antes.


Se o seu desafio envolve experiência do cliente ou do colaborador, uma forma natural de estruturar o tema antes da vivência é usar o Método 4C da Experiência do Cliente, que organiza a discussão em etapas claras e sequenciais: Conhecer, Compreender, Cumprir e Cuidar. Isso costuma aumentar a precisão do problema e a qualidade das decisões que surgem depois, inclusive em dinâmicas mão na massa.


Para empresas que buscam aprofundar diálogo e tomada de decisão em grupo com peças de LEGO® em um formato específico, também existe o LEGO® Serious Play® para contextos corporativos, que é uma metodologia distinta do Strategic Bricks e pode ser indicada conforme objetivo, tempo e perfil do grupo.


E se a intenção for formar alguém internamente ou preparar um profissional para atuar com a metodologia, a Escola oferece formação de Facilitador em Strategic Bricks em 3 dias presenciais, com kit para aplicação imediata em grupos de até 10 pessoas, mentorias individuais e certificado.



Conclusão

Não estar preparado para o Strategic Bricks não é um problema. É um diagnóstico. O ponto é reconhecer se sua empresa tem as condições mínimas para transformar participação em decisão e decisão em execução.


Se você percebeu sinais como medo de discordar, falta de clareza do desafio ou ausência de pós, comece preparando o terreno: defina a pergunta certa, alinhe a liderança e estabeleça uma cadência simples de acompanhamento. Quando esses elementos entram no lugar, o Strategic Bricks deixa de ser uma experiência pontual e vira uma alavanca de mudança real.


Se você quer avaliar rapidamente se faz sentido aplicar agora e qual formato tende a gerar mais resultado para o seu contexto, fale com um especialista para desenhar a melhor abordagem.


 
 
 

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